segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Gente!

Como é difícil desfragmentar todos os sentimentos que avassalam em momentos de opressão:
É difícil saber a hora certa: hora certa de avançar, de parar, de por um ponto final naquele passado capítulo!

Pensamos sempre que “ainda há algo, ou um pouco mais”. Algo que já não faz sentido, mas nós, como teimosia ou ilusão acreditamos sempre que tem ponta por onde se lhe pegue e em vez de desembaraçar, o nó fica ainda mais apertado e impossível de afrouxar!
Pensamos sempre que ainda dá para levar mais, só um pouco mais… e arrastamos poeiras que acabam por se transformar em duras rochas!

Fingimos acreditar que do nada surgirá um anjo, e que esse dará a reviravolta necessária a todo este drama! Uma reviravolta prevista no misterioso roteiro da vida, mas que nos pega de surpresa e faz com que nos pareça que o mundo é algo mais que um espaço e tempo para passarmos uns dias…

Mas milagres?! Onde estão os anjos de asas brancas? Apressadamente pintam o seu rosto de negro e mostram dentes afiados, e tudo se transforma numa cena de um vulgar filme de terror!

Talvez tudo tenha uma razão de acontecer: "... hoje cruzei-me com aquele menino de camisa azul, porque tinha de ser ele, hoje, naquele sitio!”

Talvez sejamos surpreendidos pela nossa mente com os dejá vu ´s como conquista do futuro, memorizando o passado em fracção de segundos em rapidez incompatível com o nosso próprio espírito.

Somos gente: disso temos nós a certeza. Gente sensível e errante. Gente que não tem o benificio de viver duas vezes, mas o tempo suficiente para ir aprendendo lidar com a vida! Nunca se aprende viver de verdade, vai-se vivendo apenas porque existimos… e somos gente… Gente que ri de verdade, que sofre de verdade…

Somos mesmo gente?!
Somos pessoas reais: carne e osso temos, fora isso nada nos permite definir “Gente”!

Algo real, algo que existe, mas tem crises existenciais… vivendo uma vida, aprendendo viver, chegando ao fim sem saber que gente é!

2 comentários:

  1. Memórias…

    Fundações do sentimento, com registo particular;
    Variável “viagem no tempo”,
    De manipulação subjectiva e sentido sinuoso.
    Visualmente desfocadas as representações;
    Armazenadas com vontade, repudiadas com rancor.
    Na senescência são viver, em adulto são experiência…
    Com coragem procura-se amnésia,
    Com receio encontra-se falso reconhecimento…

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  2. Memórias... de "Gente"!
    Obrigada pela partilha de palavras António!

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