terça-feira, 3 de agosto de 2010

História quase real

Cansada de estar triste e sem saber o que fazer, escorreu as lágrimas para uma folha de papiro com a sua história escrita e colocou-a numa garrafa bem fechada, quase que selada!

Correu sob as pedras do robusto rio e atirou para lá a garrafa, na esperança que esta alcançasse de imediato ao alto mar!
Antes de partir invocou os céus para lhe que lhe oferecessem asas…
Agitou os cabelos que o vento soprava e sacudiu o pó das memórias: passou como reflexo na água todas aquelas recordações… os melhores e piores momentos, ou até aqueles mesmo que nem bons nem maus, não foram totalmente neutros!
Compreendeu que cada um tinha o seu exacto valor: e não precisava por isso convertê-los num peso para os ombros, mas em pedras para construir um belo e forte castelo!
Era a sua vida: às vezes boa, outras vezes cruel: por muito que lhe batesse mimava-a até lhe sorrir!

Viu estrelas-do-mar, cavalos-marinhos e tubarões com sangue!
Percebeu que o amor estava ao seu alcance, vestido com a cor dos céus e com o brilho das estrelas…
Percebeu que na vida há guerras, mesmo para quem não tem vontade de lutar!
Sentiu então que não, não poderia ter asas, mas se quisesse podia voar…
Decidiu então correr o risco, abrir a porta ao inesperado, e viver como sempre disse que iria viver: com os sonhos em frente, seguindo sempre em frente dos sonhos!!

Pegou na caneta e escreveu: imaginou mundos possíveis, outros imaginários.
Perdeu-se em labirintos de emoções e atreveu-se dizer ao tempo que não o temia! Livre dos ponteiros do relógio, procurava-se a si própria e esperava… esperava tanto e não cansava!
Mas adormeceu: de olhos fechados e corpo cansado sonhou que alguém chegou com uma caixa vazia na mão.

Tinha dentro dela cor e magia: só ela a conseguia ver. Pois era inalcançável a quem o seu mundo não compreendia.
Acordou, com a triste razão de que de um sonho não passava: o mundo continuava dela, com a cor e magia que apenas compreendia e já ela mesma temia.
Temia por saber que ainda ali estava, no frio do rio, avistar  a corrente que levou a garrafa que há pouco tinha na mão.

E agora? O que estava na folha de papiro seria somente memórias do coração…

Ao contactar com o alto mar, começaram cicatrizar velhas feridas, e na face oculta da Lua que na água reflectia pode contemplar tranquilamente o que a caixa vazia com cor e magia continha…
Não era afinal vazio: cruzou-se entre o real e imaginário encontrando uma plenitude de equilíbrio e cura daquela folha de papiro… selada e mergulhada em alto mar!

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