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domingo, 20 de janeiro de 2013

Até o dia...

 
Jurei nunca contar a ninguém quem eu sou. Nunca contei a ninguém, e escondi no baú mais profundo do meu sótão toda a verdade sobre mim.
 
Até ao dia...
Até ao dia em que um pássaro espreitou pela minha janela e descobriu quem eu era, na minha mais imoderada solidão. Discreto, fez um ninho e todas as minhas horas ele coabitou.
E um dia, cansado de ver entre os meus dias intervalos pintados de negro, ele cantou sobre aquilo que me tinha tornado! Cantou tão alto que eu própria tinha medo de perceber aquilo que ele tentava dizer sobre mim.
Era tão claro aquilo que ele cantava...
Convencida que o calava convidei-o entrar na minha janela, com a sensação de que ele se iria justificar.
Mas em vez disso, ele voou entre todas as minhas paredes e cantava cada vez mais alto, para mim e para o meu mundo, tudo aquilo que eu era.
Não, eu não o podia soltar. Achava que ninguém me iria conhecer, e tinha sido enganada por um simples pássaro a cantar.
Queria sufocar toda aquela canção, e fechei-o de mim, num caixa de cartão.
Ele fitava-me com um olhar de quem não iria parar de cantar, e sem medo o destemido, abria as asas, como sorrindo por nem eu mesma o conseguir parar.
Até nos meus sonhos voava, até a dormir ele cantava...
Abri a minha boca para gritar, para dizer ao mundo para o passáro calar!
Mas quando agitei os meus braços agitada, toda aquela canção ficou desorientada.
Ele tinha fome de liberdade, precisava de voar. Mas eu só queria que sobre mim parasse de cantar.
Da minha boca já saía aquela canção...
Estava interiorizada bem nas raízes do meu coração.
Um dia abri a janela para o pássaro partir.
-"Vai e conta ao mundo todo quem sou. Eles acharão que estás mentir."
Ele ficou ali, no beiral da janela.
 
Até o dia...
Até o dia que percebi que ele não tinha asas de pássaro, nem bico de quem catava mentira.
Era eu mesma a fantasia da personagem das canções dele...
Até o dia que percebi que era ele quem me dizia toda a verdade.
Que queria que eu saísse daquela negra solidão.
Ele não era um pássaro...
Era o meu anjo da guarda
Que foi e não veio!
Que eu expulsei e tenho saudade...
... Só porque não queria ouvir a verdade!
 
PatríciAntão

sábado, 5 de janeiro de 2013

Duro Céu Cinzento

 
Longe de tudo e todos, longe do meu cheiro, do meu sol, do meu silêncio e dos meus sons, tentei olhar para o céu... O céu não era o mesmo que procurava, e os meus olhos transformaram-se então em poças cinzas, de tal forma frias que nem tinham a capacidade de produzir água, não por falta de chuva vinda dos céus, mas porque o sal que se formava antes era vindouro de outros mares!
 
Sem conseguir encontrar céu nem palavras, percebi que a única coisa que me inspirava seria então a frieza, solidão e desilusão.
Nem sequer me tinha apercebido que o meu céu tinha mudado, quanto mais o brilho dos meus olhos!
 
Podia ter entrado em esquecimento, mas voltei mirar esse céu vazio que tanto me perturbava...
 
"Quem és tu?" - Perguntava eu! Para quem? Dizia eu que seria dirigido ao céu, mas tão duro que era que a minha voz me ecoava nos ouvidos e invadia diretamente a minha alma! Alma imóvel, escura e fria, cinza como o céu...
 
Onde chegaste tu, pequena caçadora de estrelas...
 
Consegui um dia, muito após  a primeira admiração deste céu, visualizar uma luz vaga que me inspirou.
 
Pequei numa tinta transparente, e pintei uma estrela cadente.
 
...
 
Pedi um desejo...
 
De um dia acordar e este céu estar brilhante...
Radiante como as estrelas que um dia cacei... Quando minha sombra era ainda pequena!

sábado, 22 de setembro de 2012

Meu momento parado

 
 
De que matéria sou feita afinal?
Chego a este ponto da minha vida e perco-me.
Não quero encontrar-me.
Não quero estar com as pessoas de quem gosto.
Não tenho vontade de passear pelos sítios que me fazem respirar.
Não sou adepta da liberdade!
Fiquei aqui prisioneira deste momento parado.
Em que nem os ponteiros do relógio fazem sentido.
Ouço os batimentos do coração de forma fria.
Respiro por obrigatoriedade.
O que faço neste lugar?
Não sou eu, nem consigo identificar as peças do meu mundo.
Será que é apenas um susto, para de seguida regressar completa e com mais energia?!
Inacabada, nunca pensei descobrir este vazio em mim.
Vazio que não me faz sofrer.
É uma indiferença perante mim mesma.
Perante as pessoas.
Perante o mundo e toda a minha realidade!
 
Mas já sinto saudades daquela criatura feita de sonhos.
Que cheirava terra e vento.
Que abria as asas e lhe apetecia sorrir apenas por estar viva!
Aquele ser feito de palavras.
Das palavras que terminavam sempre com reticências e não com um ponto final.
Um ponto parado.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Deixa...


Deixa-me estar
Deixa acontecer
Deixa-me só
Deixa-me adormecer
Deixa-me descansar
Deixa-me pensar
Deixa-me sonhar
Deixa-me iludir
Deixa nas minhas mãos...

...Mas deixa...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Coração recheado


...Porque às vezes pensamos que somos tristes e sós quando temos um coração vazio...
... Mas um coração vazio pode significar paz.
... E que está disponível a ser preenchido!
... Com sonhos e sentimentos...
... Com ilusões e realizações!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Inconstâncias


A pior coisa que se pode sentir é pena! Pena de mim mesma... é incapacitante! O meu corpo e alma ficam gélidos, incapacitados de viver.
Com espírito de vento, coisas que vão e vêm, penso que mesmo as pessoas mais estáveis vivem numa inconstância de dúvidas e certezas.
Pode hoje apetecer-me ter o cabelo de uma maneira ou outra, não é por acaso que normalmente nunca nos vestimos da mesma forma, nem nos apetece comer todos os dias a mesma coisa. Somos inconstantes nos nossos passos diários, mesmo aqueles mais discretos!

A certeza do meu mais brilhante murmúrio é que não me importo de ser uma criatura com dúvidas, desde que as certezas não me levem a ter pena de mim. E quando falo de pena falo também de arrependimento.
A guitarra que toca à beira mar enquanto o Sol adormece por detrás do horizonte, diz-me que o barco negro navegará sempre na minha maré, mas nada que uma boa noite de solidão não mude a direcção das caravelas.
De braços abertos entre as gotas da chuva, os desejos vão, e novos sonhos ficam entre duas gotas de orvalho que me caem dos olhos... entre o rio inconstante e a razão!
Esta estranha forma de vida pode-me dar o nome de fadista louca, mas é o controlo da sede pelos inúmeros sonhos que não me fazem cair na tentação!
Fascinação pelo que é novo, medo de qualquer fim, haverá sempre algo melhor para lá da fronteira. Porque quando mudamos, há sempre um lado que muda para melhor.
Há palavras que me beijam, aquelas que tocam no meu coração. Já me deixaram espinhos cravados no coração, mas nunca deixei de viver com menos emoção.
Não, não tenho pena de mim, esta loucura são apenas os lírios do meu vasto jardim, e quando penso em mágoa tento perceber que coincide apenas com uma fase da Lua.

Mal-me-quer, bem-me-quer, não quero ter medo do meu fado, mas certo é que os meus olhos sempre foram mais atentos aos outros que a mim mesma...
Por vezes apetece-me acordar e tomar uma dose de egoísmo, deixando de me levar pelos murmúrios do silêncio, deixar voar o que posso fazer pelos outros e pensar de primeiro a último lugar em mim.
Não é a desgraça de ser pobre de mim mesma, é a tentação que tenho de não deixar que os outros caem na desgraça de me sentir como eu às vezes me sinto: só!
No deserto tento encontrar sempre o poema de encontros e reencontros com a esperança que haja o reflexo da força do mar nos meus olhos.
Oxalá um dia pequenas verdades sobre mim venham à tona, porque se uso máscaras não são máscaras amaldiçoadas, são apenas semelhantes a maquilhagem correctora das minhas fraquezas, vinculadas numa frieza e num poder de adaptação que nem eu mesma sei se existem dentro de mim...
Pelos outros planto Primaveras, nem que para mim colha apenas folhas mortas e espinhos duros e secos, e no fim de promessas e juramentos da parte dos que me deviam recompensar apenas recebo somente a verdade de que vivo na minha própria solidão.
E aí olho para os meus retratos de criança e tudo se transforma numa rosa branca... se eu mandasse nas palavras tiraria de todos os poemas da vida "saudade"!

A minha sina baseia-se em sorrir, com ou sem o sal das lágrimas corroeram-me a pele do rosto, são elas que me envelhecem, mas serão elas um dia que me impedirão de entristecer... ou pelo menos irão-me fortalecer!
Uso estes recursos para sobreviver da minha própria inconstância: meu rosto é transparente, mas as vozes do mar ecoam numa concha perdida na areia que me deitarei um dia na toalha do desengano...
Mas nunca mudarei... Esta minha constante inconstância!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Um pouco de nós congelado!


Hoje, num dia gelado, custa respirar!

Consegue-se aperceber apenas pelo fumo que sai da boca das pessoas que estas estão vivas...
Apenas porque lá dentro, dessas almas mortas bate um coração, e um cérebro está introduzido numa caixa!

Mas, onde está tudo o resto?
Tudo o que uma pessoa necessita para estar realmente viva?!

Enquanto as pessoas vivem na correria lá de fora, neste mundo cada vez mais congelado, dentro de cada ser, cada um tem um pedaço do outro... E ninguém parece aperceber-se disso!
Atropelam-se com sentimentos negativos, e são cada vez mais individualistas e egoístas.
E mesmo vendendo-se sorrisos sociais, cada um devia aperceber-se mais da falta que o outro nos faz...
Mas só entendemos isso, quando já não temos o calor do outro ao nosso lado.
Só damos valor na perda.
Porque perdemos tanto, quando poderíamos ganhar muito mais?!

Aqueçam mais este Mundo...
Não transformem a Vida numa tempestade, nem num Inverno constante...
A Primavera dos nossos actos, é o canteiro dos nossos sonhos. São as flores que nos trazem alegria à nossa alma.
São as borboletas que voam nos nossos pensamentos.
É o calor que aquece o nosso coração.
O o Sol que irradia o nosso sorriso...
Mesmo num dia gelado de Inverno!

Basta pensar que há calor dentro de nós, e transmitir isso mesmo aos que nos rodeiam, valorizando-os... valorizando-nos!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aconchego da minha Solidão!


Quero a companhia do Natural
A companhia de um animal, de uma flor,
De um aroma ou de uma estrela!
Quero a companhia do vento
Da árvore, de um pássaro ou da Lua!

Quero a companhia de um beijo
De afecto e de um abraço
Quero a companhia de uma lareira
De uma conversa
De uma antiga história
De memórias

...Quero companhia de ti...
Quero a companhia do teu cheiro
Da tua presença.

Quero a ausência da minha solidão!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aceita-me conhecer!


Nunca se deve ler um olhar. Deve-se conhecer uma pessoa em forma de digressão! Devemos conhecê-la desde uma ilha deserta, como se nos batesse à porta e perguntar: "Quem és?!", e nunca "Quem foste?!". Temos de acreditar que as pessoas mudam, mesmo que o passado seja o pior arrumo da memória do baú.
Devemos cumprir sempre as regras da sensatez, e procurar nas avenidas do coração dos outros, o melhor que eles têm para nos oferecer. Temos de transformar as virtudes num baile, e dos defeitos em aceitação.
Dar as boas vindas a uma pessoa nova na nossa vida, é para alguém, dar a esperança, não só de uma amizade, mas de uma aceitação de valores.

É difícil quando se conhece alguém, e se tem uma empatia especial, porque temos sempre o medo de nos virmos iludir e desiludir...
É aquele brilho dental, é aquele olhar, é aquele primeiro jeito que tudo muda futuramente...
Mas cuidado! Muito cuidado...
Vamos caminhando, mas em alerta, como provando uma taça de champanhe novo: e terá sempre o mesmo aspecto, só não sabemos se irá ser mais doce ou mais amargo no acto de engolir!
Saborear esta nova experiência, implica não só emoção, mas sobretudo racionalidade, principalmente nos dias de hoje, que há tanta gente interceira e com maquilhagem social.
Já não acredito que haja cinderelas e super homens, mas acredito que na periferia de muitos corações haja ainda muita magia por desvendar.
Há muita gente perdida à espera do momento e da pessoa certos para serem encontrados, e no dia em que a estrela cadente rasga o céu, pode ser o dia em que uma dessas pessoas se cruza no teu caminho.

Nada é por acaso.
Não é por acaso que no meio de uma multidão aquela hora te cruzaste com a pessoa "X" de camisola azul e que sorriu ou te fez má cara e até influenciou o teu dia.
Não é por acaso que hoje choveu.
Não é por acaso que hoje bati com o carro.
Não é por acaso que hoje não dormi nada e andei todo o dia com mau humor...
Não saias para a rua pensar que o teu dia vai ser um desastre.
Este mundo apesar de ser cruel é mágico, e nenhum dia é igual ao anterior ou seguinte. E ninguém é igual a ninguém.
Explora os dias!
Explora a qualidade das pessoas.
Modela os teus defeitos.
Explora a vida...
Aceita-me conhecer, conhecendo pequenos momentos, com pequenos grandes momentos, envolvidos por sensações e pessoas.
A solidão faz parte de nós, mas nós não seriamos nada sem sociedade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Não rejeites a tua Solidão!


"Rejeitamos a ideia da solidão porque a vemos de forma negativa. Mas ela é fundamental para a construção das relações sociais. Sem solidão, viveríamos por instinto, não teríamos necessidade de afecto, compreensão, troca, abraços, elogios, apoio, busca de auto estima. Sem essa experiência, as rejeições e as discriminações não nos magoariam. As perdas não provocariam traumas e as decepções não produziriam lágrimas. Sem solidão não teríamos necessidade do outro. A solidão traz necessidades psíquicas imperiosas e complicações sociais."

-AUGUSTO CURY - in a sabedoria nossa de cada dia-

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Hoje acordei

Hoje eu acordei numa casa diferente: era a minha casa, com a mesma cor, a mesma decoração, o mesmo cheiro. Hoje acordei num quarto diferente, com as mesmas quatro paredes, com a mesma mobília, com as mesmas sombras matinais!
Hoje acordei sem nenhuma maquilhagem, hoje acordei despenteada e com um borbulha enorme na cara! Os meus amigos estão ocupados,  os meus pais não podem sofrer por mim.
Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí, logo pela manhã eu olhei-me ao espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente fazer-me feliz! Eu mesma...

domingo, 16 de outubro de 2011

Isolo-me!


Vejo-me por dentro neste preciso momento, e sinto que sou inocente em toda esta história!
Não me posso julgar pelos erros do passado, nem pela falta de expectativa ou medos do futuro, porque escolhi isolar-me. Isolar-me de quem me ama e do mundo que me acolheu, isolar-me de todas as acções e sentimentos activos...
Hoje sou eu mesma para mim mesma, neste momento.
Sinto-me viva e solta, neste instante presente. É como se tivesse oferecido um presente a mim mesma: estar comigo, isolada de qualquer estímulo que não seja o meu próprio pensamento em sintonia com as palpitações cardíacas.
Estou em transe, estou em meditação. Estou eu comigo, na minha solidão, na companhia do oco vazio que me acalma e me faz estar adormecida para o mundo externo.
Inspiro fundo e não sinto dor.
Expiro este ar desprovido de veneno...
Isolar-me assim, sem razão aparente exige coragem e sobretudo perdão... perdoo o mundo que me condena por me perdoar a mim mesma!
Isolamento não é indiferença... Isolar-me assim, faz toda a diferença!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Natural para mim é escrever...


Completo carinhosamente a minha própria angústia quando transformo sentimentos em palavras. Das palavras escondo ainda algo mais obscuro em metáforas e prossigo de um rascunho para cores invisiveis aos que me leieem... e no fundo, quando releio o que escrevi já nem eu própria distingo a verdade da palavra que define o sentimento daquele momento!
Aligeiro este medo que tenho em passar da teoria à prática e as palavras que rabisco num papel branco, serão para sempre uma infusão nunca saída do meu laboratório.
Queria conseguir uma imaginação mais sofisticada, mas se não mudo actos, como poderei mudar sentimentos sem vivências?
Que falta de coragem a minha... Será que tenho uma fobia social não diagnosticada e vivo em indignação profunda?
Ás vezes nem eu sei o porquê de esconder entre linhas... ou de tentar enganar-me a mim mesma, falsificando esta máscara de alguém que sonha um dia escrever o diário da sua vida, para que muitos compreendam o porquê de me agarrar firmemente às correntes do meu passado e memórias. Nada seria sem elas, e o vazio apoderaria-se de mim. Ao invés a p+alavra conquistou-me e assim escrevo... escrevo para mim mesma!
Não me condenem por utilizar uma folha em branco como meu confessionário.
Não me critiquem por aproveitar a leitura de um livro para me tentar ver ao espelho. Pode não ser a minha imagem, mas é atrvés de grandes personagens que nós nos adaptamos neste mundo de representação!
Não escrevo por hábito nem por delírio. Posso inventar palavras entre as minhas loucuras, mas não minto no que elas conseguem mover entre os meus mundos.
É a ponte entre margens minhas, incompreendidas pelas ondas da maré que não consigo acompanhar.
São as palavras que me protegem dos meus medos e me dão coragem para lutar pelos sonhos mais profundos!
Não escrevo cartas por piedade, escrevo como forma de comunicação, quando não consigo chegar ás pessoas através de diálogo ou simples olhares e gestos.
Não me desfiguro! A personagem que sou quando acordo, com ou sem bipolariadade entre a manhã e a noite é a figura que escreve, aqui ou acolá... o que interessa não são as palvras soltas, são a união e força das frases que fortificam o sangue das minhas veias e reanimam o meu coração, espírito e alma.
Sei que as palavras que passo para esta folha não correspondem totalmente ás minhas evidências, mas apenas posso garantir que tudo pode ser louco, mas nada é falso!
Amo a palavra, uso a escrita, e tudo isto desperta o meu silêncio e solidão!
Para mim escrever é a fortuna herdada que cega a realidade para a tornar mais fácil de ser vivida, recordade e até mesmo esquecida.
É a minha natureza precavida...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Abandono de si mesma!


Chora sozinha no canto do seu quarto.
Quarto com sombras e teias.
Quarto com pó e vozes de memórias!
Insiste em prender-se nelas,
Como uma presa do passado!!
Perde agora a vida
Quando podia ter um amável presente...
Costumava sentir, sorrir e tudo amar...
Agora?
Agora o rumo é para lado nenhum!
Sente-se atacada
Não se consegue desprender
Dessas cordas que ela própria criou
Dessas amarras que a impedem de avançar!
Implora e suplica
Pede libertação
Mas não se consegue libertar
Nada faz por se libertar...
Cai de joelhos
E lágrimas transforma-se em sangue
Sangue nas secas veias
E ninguém sabe a cor da sua sombra...
Sombra do seu destino
Que ela própria ditou
Cada vez mais miserável
A cada dia, a cada ano que passa...
Mais um dia que não começou
Mais uma oportunidade que acabou!
Lá no fundo o que há para esconder?
Lá no alto, o que há´para descobrir?
Nervosa, amedontrada, assustada e fraca!!
Ou se auto observa atentamente, ou morre aos poucos...
Aquele canto do quarto
Cada vez mais escuro
Onde não consegue abrir os olhos
Nem encarar um novo destino!
Talvez ela tenha razão para ficar assim...
...Porque um dia acordou e viu luz
Mas alguém lhe apagou a luz!
Todos desapareceram
E ela correu apenas com a sua sombra!
Caiu no chão...
E finalmente
Um dia...
Se libertou!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

É o meu Silêncio...


Em palavras quietas e quase sempre incertas, fico parada no meu próprio pensamento quando nada me surge na mente. É como parar de viver no Tempo e não saber o que fazer.... Não há motivos para desanimar, mas o louco impulso do cérebro mói este pensamento e destrói o pouco que há entre o oco deste som vazio da alma.
É como sentir-me nua e auto triturar-me pouco a pouco sem sequer me aperceber que tal está acontecer.
Meus labirintos secretos...
Mistérios mantidos no olhar.
Vejo-me ao espelho e nem sei o que de mim mesma posso esperar.
Estou morta...
Estou parada...
Estou invadida por este estranho vazio.
Estou aqui: apenas eu em algo incerto!
Apenas eu, numa música sem som.
É este o meu silêncio!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Olhos de Menina no Mar


Pela fina areia que faz companhia ao mar, as suas pegadas não voltam mais. Devoradas pelas velozes ondas, levam ventos, levam pensamentos.
De humildade e silêncio chegou, e até à água profunda mergulhou. Lavou pensamentos e sentiu que afinal o sal que as lágrimas soltas queimam mais que o sal do mar que cura.
A espuma é o espelho da mágoa das dores velhas por sarar... Mas é especial a menina, e um dia vai curar!
Cala a sua voz em injustiças, e sussurra no seu canto aos cavalos marinhos.
A canção que canta é composta pelo fundo escuro do mar, e as cordas da viola partiram por não querer mais nesta dor acreditar.
Mas não desiste a menina! Teima suas pegadas na areia gravar.
O mar conhece-a como mais uma moradora, ela conhece o mar como o melhor amigo e ouvinte.
Não fiques aí no refúgio da tua da própria solidão! Vai em busca de um barco sem vela, porque melhor que ninguém sabes o quão o vento te trama.
A voz antiga da atitude é o azul que confunde o mar do céu!
Vestida de sal de algas, senta-te num coral, que os habitantes das profundezas te irão encaminhar...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Silêncio que dói!


"O silêncio
é às vezes
o que faz mais mal
quando a gente sofre."

Florbela Espanca

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não digas nada!


No silêncio da noite os sonhos são pintados numa tela sem luz.
Todos temos o vício involuntário de fazer um resumo diário das nossas emoções quando nos deitamos ou adormecemos.
Não adianta fugir aos tormentos de 24horas, porque quanto mais se foge mais eles nos invadem o sono em forma de pesadelos.
É como se se tratasse da 5ª dimensão de nós mesmos. Perceber de uma vez por todas que para que os dias nos corram bem, temos de ser claros connosco para que as relações sociais corram pelo melhor.

A banda toca, e a nossa acção é a reacção involuntária do nosso corpo.
Danças? Ou balanças? O timbre da música penetra-te o corpo e arrepia-te a pele?
Relaxa e inspira a Vida!
Ser um Ser passivo de "deixa andar até Sexta e depois vou ter tempo para descansar e reflectir!" não é estar perdido. É não se querer encontrar e levar essa perda de si mesmo como uma bola de neve...
É mais que introspecção, que se não for efectuada baixa os níveis de auto-estima e auto-confiança!
É um espelho de água que deveremos efectuar como narcisistas diariamente.
É dormir sobre uma almofada de algodão confortável pelos actos que nos envolvem o corpo com lençol de seda!

Não fales dos outros. Fala para ti... Faz dos teus jardins proibidos momentos finais da solidão.
Não adies os problemas e procura resolução sem esperares muito dos outros e dares o melhor de ti.
Nunca digas que não consegues, mesmo quando estás prestes a desistir.
Nunca te sintas sozinho, mesmo quando estás só entre uma multidão.
Olha para trás, mas concentra-te onde estás agora!
E todas essas perdas que te fizeram sofrer, são memórias retidas para além do céu.
Gosta sempre de ti e não te fies pelo destino.
 Está tudo nas tuas mãos. Tens a responsabilidade da tua própria vida. Não lhe sejas passivo...

A resposta será sempre: "Saber de ti!" e quando te questionares o que fazer neste mundo e nesta vida, e a única resposta que consegues encontrar é: "Sei lá!" ou " Nada!, procura novamente o silêncio da noite e encontra nela todos os conselhos que ninguém te pode dar.
Porque se oferecer conselhos fosse bom, vendiam-se!

Só por ti... todos nós temos os nossos momentos maus.
Tu és assim, eu sou assim...
Mas não digas nada.
Oferece um sorriso a ti mesmo e não digas nada.
Não digas que estás sofrer, sem antes tentar encontrar uma solução!
Não durmas na cobardia de adormecer sem antes dizer algo a ti mesmo...
Concentra-te... e não digas nada!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Solução da Solidão...


O que é estar no nosso abrigo? É conformarmo-nos à nossa dura solidão ou passar quanto mais tempo possível com os que amamos para nem sequer dar pelo tempo passar?

Quando queremos estar sós paramos num tempo incerto e indeterminado que faz com que nos invertamos na própria sociedade e fujamos do nosso ego.

Como é bom estar só...

Como dói estarmos entre multidões e sentirmo-nos sós!

Como é bom querermos estar sós e os que nos amam insistirem nem que seja apenas para uma conversa banal sobre o tempo frio que invadiu um dia de Verão.

São estes pormenores da Vida que nos inspiram para vivermos em sociedade.

É como a a anorexia. Quanto menos se come, menos fome se sente.

Quando mais quisermos estar sós, mais nos isolamos do Mundo e de nós mesmos, acabando por mergulhar numa imensa solidão crónica...

Não optemos pelo tratamento da solidão. Optemos antes pela prevenção da mesma.

É bom estar só, mas nem sempre devemos estar sós quando nos apetece estar sós!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Teu refúgio na minha solidão


Anjo perdido, onde adormeceste? Porque te escondes no beiral de um telhado onde a chuva bate e o Sol não chega?
Cada carta que te escrevo… cada palavra que não lês! Queria confiar em contos com finais felizes, mas o cenário escurece, e o copo fica vazio daquela porção mágica que me fizeste ingerir em pequenos goles de ousadia!
 Dá-me ar, deixa-me respirar esse doce aroma, deixa-me pisar o teu chão… sem ensaios, sem medos e sem fim.
Os dias passam, e o fogo da noite contínua pintado nos céus ao pôr-do-sol, mas não te vejo! Não consigo avistar o teu refúgio onde adormeces em silencio…
Neste sempre, sem sinal teu tenho fome de me perder no teu olhar!
São laços… laços assentados em lados opostos… ou em lados errados?!
Não te escondas… ouve a canção daquele filme, e sente tudo em vez de nada… porque nem tudo tem um fim! “A vida inteira não tem fim”.
O ciclo da tua solidão já me pertenceu… mas o sangue que sobrou, ficou apenas no teu Mundo que abrigaste só para ti.
Por de trás desse fim, quebramos os dois, um para cada lado e em vez de restos de coisas sobrou um Tempo melhor e um novo nascer do Sol.
Mas agora em tempos melhores, ou adversos, procuro-te.
Porquê?
Porque se acredito que a vidas inteira não tem fim, também tenho esperança de vir acreditar no: “para sempre!”