sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fada de Iusões




Quem é ela?
Ela não tinha aquele cansaço pela manhã. Aqueles olhos sem brilho e a pele moída.
Ela não se preocupava com os seus cabelos, porque eram belos de mais para serem tratados.
 
Ela não se preocupava com as horas nem com o tempo. Apenas dançava ao som da luz.
 
Ela era doce e amarga, e não distinguia a adversidade a das pessoas.
 
Ela não entendia porque os adultos não brincavam.
Ela tinha energia para mudar o mundo!
Mas o mundo modificou-a antes de tudo isso…
E agora, abre as mãos e estas estão geladas. Geladas de tanto ter corrido sem luvas…
Sente no corpo um cansaço de viver, como se alguém lhe tivesse roubado a alma!
Olha-se ao no reflexo da água, e a miragem turva diz-lhe que ela já não tem face.
Perdeu-se…
Essa fada das ilusões!
PatríciAntão

Cansada desta Febre Social


 
Assusta-me viver neste mundo, em escassez e sem qualidade.
Assusta-me ver as crianças que não sabem o que é brincar com as formigas ou se lavarem de lama.
Assusta-me correr descalça na praia, porque nem o chão da praia é seguro.
Assusta-me o reflexo de uma rua urbana, em que vejo os seres humanos privados de alma.
Assusta-me que a música é cada vez mais pesada. E a poesia cada vez mais extinta.
Assusta-me todas as atitudes de ódio e intolerância. A falsidade e a falta de bons amigos.
Assusta-me toda a projeção de futuro e toda a miragem do passado.
Assusta-me envelhecer e perceber que não tenho tempo para mais nada a não ser para trabalhar.
Assusta-me toda esta febre social, em que o exagero de sorrisos é um sinal de que ninguém sabe sorrir.
Assusta-me este cansaço, esta rotina de viver neste medo.
Assusta-me o meu reflexo de quando estou só e já não sei viver sem pressão.
Isto tudo assusta-me, mas habituo-me.
Porque faço parte disto- destes buracos por preencher, dos diálogos recalcados, e dos sorrisos obrigados.
Tenho saudades do enigma de quando era criança, pensando que quando fosse adulta iria ser feliz e realizar os meus sonhos.
Neste momento sinto que até o Paraíso precisa de morte, e que para nos tornarmos anjos, precisamos de nos tornar inexistentes.
Vivo numa catástrofe…
Sempre foram as catástrofes que me fascinaram.
A vibração do difícil.
Mas isto não é difícil… é absurdo de o viver diariamente.
É uma rotina insuportável.
Numa sociedade pútrida!  
PatríciAntão

Ama!

" Ama.
Lavar os dentes ao lado de quem amas.
Apalpar-lhe descaradamente o rabo.
Comer chocolates até te fartares.
Passar a noite a dizer asneiras.
Beijar sempre de língua. ...

Passar o dia a dizer asneiras.
Mandar o chefe bugiar.
Passar a vida a dizer asneiras.
Deixar declarações de amor escondidas pela casa.
Fazer o teu pai feliz.
Preguiçar regularmente.
Fazer a tua mãe feliz.
Atirar o despertador à parede periodicamente.
Fazer quem tu puderes feliz.
Dormir quinze ou vinte horas seguidas.
Pôr a mão de fora do vidro do carro.
Pintar o cabelo de azul ou de amarelo.
Pôr a cabeça de fora do vidro do carro.
Cantar no banho para todo o prédio ouvir.
Lamber a tampa dos iogurtes.
Correr que nem um louco na praia.
Falhar que nem um burro só porque tentas.
Praticar sexo oral com frequência.
Tentar que nem um burro só porque queres.
Mudar a decoração de casa num dia só.
Dançar quando estás feliz.
Passar horas só a cuidar de ti.
Dançar quando estás triste.
Dizer bem de quem amas.
Enfiar o dedo no nariz às escondidas.
Dizer bem de quem não amas.
Dançar enquanto estás vivo.
Guardar segredos inconfessáveis.
Experimentar posições sexuais improváveis.
Contar segredos inconfessáveis.
Masturbares-te sem qualquer culpa.
Ter segredos inconfessáveis.
Ver quanto dá o teu carro.
Dizer o que não se pode dizer.
Cagar assiduamente nas convenções sociais.
Sonhar com o que não pode acontecer.
O orgasmo sempre que puderes.
Coçar e ser coçado nas costas.
O gemido sempre que souberes.
Passar muitas horas a contar anedotas.
Adormecer todo torto no sofá.
Passar muitas horas a ouvir anedotas.
Rir que nem um desalmado.
Fazer um penteado estrambólico só porque te apetece mudar.
Rir por tudo e por nada.
Chorar a torto e a direito.
Rebolar na areia quando estás todo molhado.
Chorar porque também é um direito.
Abraçar o teu gato ou o teu cão.
Mandar a austeridade tomar no cu.
Beijar incansavelmente.
Não te levares minimamente a sério.
Dispensar quem te chateia.
Tocar um instrumento qualquer.
Perdoar quem é humano.
Desistir do que não te serve.
Lutar pelo direito à parvoíce.
Escrever um livro.
Dar prioridade ao prazer.
Ler um livro.
Nunca desistir de quem amas.
Aprender desvairadamente.
Fazer cadeirinha com quem amas.
Ensinar desvairadamente.
Perder a respiração pelo menos uma vez por dia.
Nascer pelo menos mais uma vez do que as vezes em que morreres.
Viver desvairadamente.
-Te."

Pedro Chagas Freitas
 

Natal, outras gentes, outro mundo


 
Natal tem sentimento!
Natal tem cor, tem brilho…
A sensibilidade está nos olhares…
Natal tem cheiro…
Natal tem formas!

O Natal parece outro Mundo.
Com outras gentes.
Com mais fome de sentir.
Com mais vontade de abraçar.

Natal é solidário.
Natal é Humano.
O Natal é alegre…

O Natal é saudade!
O Natal é família…

O Natal é triste…
Não consigo não chorar no Natal!

Não consigo não sentir vontade de abraçar aqueles que já partiram.
Aqueles que estão longe...
Ou aqueles que simplesmente saíram da nossa vida sem explicações.
Natal é reflexão.
Natal é quente…
Natal é amor!

Natal é solidão…
Natal é obrigação...
Natal é ilusão…

... De apenas mais um ano a passar…
PatríciAntão

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Onde está o Natal?


 
 
Ruas iluminadas, música de Natal, casacos compridos em correria com sacos na mão. As montras começam estar vazias, e os chocolates encontra-se caídos pelo chão dos supermercados.
Há dinheiro que circula, mas os olhares não se cruzam.
Onde está o Natal?
O que é o Natal para a sociedade atual?
 
PatríciAntão

"Quero ir para os braços da minha mãe"





 
Não, não sei a força que tive e que me mantém. Dia 19 de Agosto de 2012 deixei o Verão da minha Terra, deixei os braços da minha mãe, família, deixei um amor!
 
"É tão cinzenta" a Bélgica, "A saudade tamanha"
 
... "E o Verão nunca mais vem..."
 
"Quero ir para casa!"
 
"Trouxe um pouco de Terra, cheira a pinheiro e a serra!"
 
"Vim em paço de bala, com um diploma na mão"
 
"Deixei o meu amor na Terra!"
 
Faz tanto frio na Bélgica...
 
"Sou já memória e raiz!"
 
"Ninguém sai donde tem paz..."
 
Nunca vou conseguir deixar Portugal...
 
OBRIGADA PEDRO ABRUNHOSA
 
PatríciAntão

Hoje mudei os lençóis da minha cama!


   

     Foi dia de mudar os lençóis da cama onde dorme todos os dias. Naquela noite deitou-se como se fosse envolver-se num leito de magia. Havia entre o toque suave, um cheiro que a envolveu num passado muito distante.
    Lembrou-se do toque suave das mãos da mãe. Reviveu cada noite que adormecia na proteção do amor de um toque na sobrancelha que a abarcava para o conforto inexplicável. Era como se o toque da mãe a protegesse dos males do mundo e lhe dissesse que todos os medos eram imaginários.
    Abriu os olhos… era apenas um sonho! Mais um sonho longínquo em que a realidade presente se baseava exatamente no oposto.
    Transpirando o medo de não voltar sentir esta proteção, agarrou na almofada e num pequeno poro conseguiu tirar uma pena. Fê-la voar até ao candeeiro que iluminava uma pequena parte do sombrio quarto. E foi ai que percebeu o quão pesada se sentia.
    Eram as amarras da solidão, mas sobretudo das raízes que tinham crescido.
    Estava convicta de que estava lançada às feras deste mundo, e que apenas o toque e o cheiro de uns lençóis acabados de lavar a poderiam transportar para esse conforto…
… o conforto de proteção que todos os adultos que têm medo de deixar ser criança sentem!
PatríciAntão

sábado, 23 de novembro de 2013

Momento de Esplanada


 
Pego num copo de refrigerante, sentada numa esplanada e bebo. E o momento é de tal forma mágico que pareço beber um cálice da vida! Um cálice em que qualquer coisa cai, e eu, observando a pinga invertida no meu copo interiorizo em mim mesma como tudo na vida é breve.
Tenho sede! E o líquido fresco corre na minha garganta como se de uma droga se tratasse… sacia-me e gera um momento de prazer que fico abatida quando algo interrompe o meu momento de solidão e sede!
É como em cada momento da vida… todos aqueles momentos em que não se cria expectativa são os que correm melhor.
Quando temos sede da vida é quando a solidão e um simples prazer sabem bem.
As interrupções, as quedas, os barulhos de fundo temos de os observar como uma gota num copo de refrigerante.
Saciar a cada momento o cheiro da pele da nossa cara metade, o riso dos nossos amigos, o sabor de um bom café, ou simplesmente um momento de solidão numa esplanada perdida…
É isto o que a vida tem para nos dar… aquilo que estamos dispostos a colher!
PatríciAntão

Sindrome de Emigrante Portugues!


 
Quando estava na minha pequena e humilde terrinha portuguesa questionava a mim mesma o porquê de quase todos os emigrantes serem “chatos” e darem valor a coisas “ridículas”, quando eram eles que tinham tudo, pois viviam no mundo das grandes dimensões!
Falavam num tom, como se nada tivessem, e que Portugal e as pequenas coisas fossem o melhor que eles tinham na vida, sendo então o pouco tempo dos momentos de férias em que eles se sentiam felizes e concretizados.
Do pão quente, do peixe, da carne ou das castanhas e muita outra fruta que eram deliciosos! Eram factos que a mim me faziam torcer os olhos, fazer cara feia e dizer: “Por favor não exagerem, porque os bens essenciais devem ser iguais no mundo inteiro!”
Na época de Verão falavam de um Sol especial e único, chamado o “Sol de Portugal”. Mais uma vez fazia cara feia, expelia todo o meu ar de forma brusca pela minha boca e pensava: “Sol de Portugal… quem me dera agora a mim o Sol do Sul de França ou a chuva de Londres... Falam por falar!”
Era tudo muito, mas mesmo muito irritante e difícil de aceitar este tipo de comparações de forma justa e racional. Achava que eles só diziam isso aos “Portugueses” para serem simpáticos ou algo do género… nunca percebia muito bem.
E então quando via um carro com uma bandeira enorme de “PORTUGAL”!!  Aí instalava-se a minha grande problemática de não conseguir aceitar este exagero provido do emigrante Português, achando-o ridículo, rebaixando-se a pormenores que não interessavam mesmo a ninguém com algum bom senso…
Hoje… hoje estou prestes não só aceitar o Síndrome de Emigrante como também adiro desde já algum tempo costumes ou determinadas frases que antes achava ridículo!
Ainda não tenho nenhum carro com matrícula belga com uma bandeira portuguesa atrás (porque não tenho carro), mas quando passa um carro identificado como português só me dá vontade de lhe acenar como se da minha família se tratasse.
Cada vez que vou ao supermercado e não encontro peixe ou carne com qualidade não me lembro só dos pratos saborosos de Portugal, como a suculenta comida que cada vez que vou por breves dias a Portugal digo à mesa: “Isto sim é comido de verdade!” ,comendo com um prazer que as pessoas devem achar que eu cá passo fome para poupar. Mas a verdade é que passo fome de “comida boa”, e isso complica-se quando alguém adora cozinhar e tem de andar à procura de bacalhau ou de bens alimentares portugueses como se de um achado se tratasse.
O cheiro… é incrível que cada vez que o meu avião aterra em Portugal, eu sinto um cheirinho bom que faz com que perca todos os meus sentidos por momentos, e sentindo-me de imediato viva e com força para ganhar 100 anos de vida!
O ar de Portugal neste momento dá-me energia sobretudo para ser feliz e dar valor a coisas como a Terra molhada, o cheiro a seco, o calor do nosso Sol, o sal do nosso Mar, a areia das nossas praias, o cheiro e o som do campo, e até o frio do Norte que me obriga a sentar-me à frente da lareira, fazendo uma torrada que só em Portugal sabe daquele jeitinho. Antes era apenas “mais uma torrada”, hoje é um momento de prazer.
É ridículo?
Talvez… Mas só quem conhece o sabor do café português é que desconhece o que realmente é bom… Porque a primeira vez que tomei um café que não fosse português, a vontade era cuspi-lo perguntando-me em bom português que raio era aquela coisa!
Só quem sente a ausência desta qualidade de vida é que vai entender as minhas palavras.
Só quem se aproxima do Natal e não sabe o que é poder ir á rua e fazer a árvore de Natal Natural poder ouvir as pessoas falar alto e abraçar os que amamos é que dá valor a estes pequenos grandes presente de Natal…
Regresso ao dia em que vim para Bruxelas e comecei trabalhar, e quase todas as pessoas ficavam incrédulas por eu estar sempre a sorri!
 … Hoje passado um ano e quatro meses percebo que aqui as pessoas não sorriem da alma e eu sorrio cada vez menos.
Não posso dizer que sou infeliz. Mas não sou feliz como queria.
Hoje queria poder ter o emprego que tenho aqui, no meu Portugal… e isso senhor Pai Natal, seria o milagre das prendas do mundo encantado…
Como te amo Portugal…
“AMO-TE PORTUGAL” “Que horror, pensava eu, como se pode amar um país?”
Hoje interiorizo a síndrome de emigrante, e tenho muitos tiques, não só no sotaque, mas principalmente no meu coração…
Esse, estará sempre bem longe daqui…
“Até breve” …
"Minha gente" ...
PatríciAntão

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Metamorfoses

 
 
"Não haverá Borboletas
 se a Vida não passar por longas
 e silenciosas
metamorfoses!"
 
RUBEM ALVES

"Tenho de Ir"


 
“Tenho de ir”
Ficam agora os momentos como se de um retrato se tratasse.
Os farrapos ficam espalhados pelo chão, e o os corpos perdidos nos desvaneios  desta saudade.
Horrorosa hora de partida… o regresso de uma noite perdida!
Lá vais tu, de mochila às costas, para uma vida que não tem lugar para mim.
É um horror, que a distância seja a rima de todos os nossos versos!

domingo, 15 de setembro de 2013

Meu segredo com o Mar


De olhos fechados, pego delicadamente num búzio que encontrei na costa do mar e coloco no meu ouvido.
A água salgada escorre lentamente pelo meu rosto. O búzio parece chorar e eu sorrio, sentindo o barulho do mar… e imagino bem lá no fundo do horizonte os gritos das entusiasmadas crianças!
Ouço poemas escritos pelo velho pescador, imaginando que há um outro mundo dentro do búzio…
Quando a maré bate nos meus pés sinto que sou uma avalanche de sentimentos…
Agora, atenta ao pequeno mundo que está nas minhas mãos, guardo o segredo de um gigante…
O segredo que o mar nos conta a cada um de nós quando o miramos! 

PatríciAntão

sábado, 14 de setembro de 2013

Acreditas que Mudaste?


 
O que somos está desde muito cedo inserido em cada célula do nosso corpo.
Para mim não existe essa história de “mudar”. Somos sim obrigados a moldarmo-nos aos desafios da vida.
Crescemos, amadurecemos, vemos a vida com outro sentido, mas a cor do céu, o brilho do Sol, o sentimento por uma flor… isso vem lá de dentro, das profundezas do que mais fundo há em nós. E mesmo que o nosso consciente diga que mudamos, isso é mentira! Nós crescemos, nós moldamo-nos.
Ganhamos calo neste pé descalço que agora não se magoa com espinhos mansos…
Não somos mais o bebe que chora, somos o adulto que quis crescer e agora tem saudades de ser criança…
Criança com um olhar, criança com um tocar, criança simples com a humildade… que não muda: apenas cresce.
E aos olhos dos outros, seremos sempre peças de puzzle em transformação. Enquanto todos os outros se esquecem de olhar o próprio reflexo e perceber que este mundo em movimento está em constante metamorfose, em continuo crescimento…
PatríciAntão

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

DANIELA: A minha irmã, a minha irmã de verdade!


Eram uma esfera de luz, eram os teus olhos…
Faz hoje exatamente 17 anos que tu nasceste: Um ser que mudou a vida de todos aqueles que te rodeavam.
Desde o primeiro dia, os teus olhos iluminaram o nosso mundo, e a tua energia mudou por completo toda a família. Não eras mais um elemento, eras tudo o que faltavas nas nossas vidas, na minha vida!
Na nostalgia de Setembro, entre folhas secas, o Sol brilhou e a minha vida passou ter um diamante preso ao meu peito. Era real: tudo tinha mudado, e a voz das tuas birras de quando nos separavam, é o eco de todos os meus sonhos. Porque desde então, nenhum sonho passou a ter sentido sem ti.
A vida foi ingrata, foi cruel e sobretudo foi surreal o que ela te ofereceu, ou tudo o que te tirou.
E desde aquele dia de tempestade, em que vi sombra na luz dos teus olhos pela primeira vez, fiz uma promessa, não a mim mesma, mas ao Mundo, e aos Anjos da Guarda, que todos os meus passos seriam em função da tua felicidade.
Deixei de acreditar em tudo, e até mesmo em Deus: “Como poderia ser isto real?”.
Dor inexplicável agarrada ao peito, não me deixa dormir, não me deixava respirar até ao ponto de ter construído algum tempo da minha vida baseada no irracional.
Mas foste tu que me encontraste, foi a tua mão que me agarrou… e nesse preciso momento senti-me o ser mais fraco à face da Terra, porque eras tu que precisavas não só de um mão, mas de um Mundo e uma Vida nova.
Não posso escrever aquilo que sinto por ti, não posso dizer que és minha filha porque é impossível, mas todo o amor que corre entre o meu e o teu olhar é mais do que aquilo que um dia possas ver ou imaginar.
Poderia dizer que tenho pai e mãe e eles são a coisa mais importante da minha vida… também o são, mas tu, vieste ocupar um espaço e um lugar que te pertencia a ti, não só algum tempo, mas exatamente há 17 anos.
Porque desde o dia que nasceste era mais que aquilo que deverias ser.
Estava destinado sermos irmãs… tu és a minha irmã, a irmã que sempre pedi a Deus, e nunca pensei amar tanto como te amo. És mais que isso, és todo e qualquer sentido de toda a minha vida.
Não há nada, não há ninguém, não haverá decisões nem atalhos na minha vida que possam mudar isto: a minha proteção, o meu amor, a minha agregação para contigo.
Admiro-te pela pessoa que és. És mais que a minha irmã, a minha melhor amiga. És tu o meu ídolo! Não pelo teu olhar que sei que perdeu metade duma infância, não pelo teu sorriso que esconde muitas lágrimas não caídas, não pela tua força robusta e ímpar. Apenas pelo teu todo: pela toda beleza invejável, pelo teu coração magoado que sempre suportou tudo de uma feição angelical e adulta.
És a estrelinha cadente que veio realizar todo o conjunto dos meus sonhos.
Contigo rio, choro e sobretudo, contigo sou completa…
Eras tu que faltavas …
É o teu olhar que me falta todos os dias.
Com as tuas mãos macias curei muita dor, com a tua personalidade construí o meu próprio futuro.
Ninguém vai perceber a nossa cumplicidade, porque nunca ninguém alcançará o amor que existe entre nós…
Orgulhosa de ti, mais e cada vez mais.
E hoje dói tanto não estar a teu lado para te ajudar soprar essas lindas 17 velas…
PARABENS minha princesa grande… sabes o quão grande és? Serás sempre a minha princesa, a pessoa mais importante da minha vida.
Faz o favor de ser estupidamente feliz.
Porque Deus tem para ti um futuro Lindo como tu, e no que depender de mim vou ser sempre o teu corrimão. O corrimão para te ajudar subir essa escadaria longa da vida, mas sempre de sapato de cristal e sorriso no rosto, o corrimão que estará lá para quando tropeçares, ou simplesmente para quanto estiveres pronta para subir mais um degrau.
Esteja onde estiver: Céu, Terra, perto ou longe, o meu olho vai estar sempre no teu coração.
És o pedacinho mais lindo de mim.
AMO-TE minha irmã. AMO-TE Daniela Pera!

... És doce, és especial, és tudo para mim, minha irmã: minha princesa de sapato de cristal!
PatríciAntão

Urgência de de ter


 
Hoje quero ver as estrelas de pernas para o ar. Quero entre esse brilho no escuro ver dois corpos desprovidos de medo, carregados dessa alquimia que nos faz vibrar...
Aquela alquimia que ambos conhecemos, aquela que escrevemos no nosso silêncio onde as estrelas são as únicas espectadoras! Um momento em que a única arte é manipular a vida de forma a alcançarmos o sonho da humanidade: uma felicidade que soa a ilusão.
Pensamos então se não será apenas por uma noite, e a noite responde-nos, repetindo-se…
E a matéria do nosso sentimento ganhou consciência daquilo que realmente se estava passar.
É urgência! É urgência de estar contigo hoje, aquilo que ela me tem vindo ensinar.

Destino, porque não fazes agora adiar essa urgência e o fazes ter comigo agora?
Ele que me prometeu um futuro, entre um beijo e um aperto despido… e hoje, entre estes muros e lágrimas apenas recebo disfarces à minha impotência, por ele não conseguir tocar…
PatríciAntão

Frasco de Mel


Peguei num frasco de mel.

Estava encetado…

Por ser tão apreciado.

Mentia se dissesse que dele gostava.

E é cruel quando me perguntam porque não gosto eu dele.

Gosto muito de doce, à minha maneira…

Mas simplesmente nunca gostei de mel.

Não sou obrigada e parece uma obrigação.

Gosto do anormal…

E quando gosto, gosto desde as profundezas do meu coração.
 
PatríciAntão

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tu és mais forte


Anjos




Nunca deixarei de acreditar num mundo melhor...
Nunca deixarei de acreditar que Anjos da Guarda existem!

PatríciAntão

Cansada de fazer esta mala!



Estou tão cansada...

Cansada de fazer a mesma mala, com os mesmos trapos usados.

A mala que salta a ponte que se constrói com cruzes diárias.

Comporto-me como uma prisioneira com direito a liberdade por um dia!

Estou muito cansada, de fazer esta mala que me leva a ti...

Mas que já não me leva a lado algum...

 
PatríciAntão


Não te amo...

 
 
"A verdade é que não te amo
com meus olhos que descobrem
em ti mil defeitos,
mas com meu coração,
 que ama o que os olhos desprezam."
William Shakespeare

Cheira a Terra Molhada



 
Minha alma começa perder folhas, meu corpo começa aspirar o cheiro a Outono… Principio de um Fim!
 
Difícil de aceitar, a única solução será escrever poesia sobre o barulho das folhas secas. Ou quem sabe experimentar concertar o som de uma velha viola para combinar com o cheiro a terra molhada…
 
Onde há um fim, existirá um principio…
É sempre doloroso dizer um adeus.
 
Mas quem sabe que o próximo “Olá” seja mais florido…
… A Primavera vem sempre depois!

E até lá não posso fechar os olhos...

 PatríciAntão


Energias


 

 
Aquela aspiração que enterrou toda a força em cada nervo do meu corpo e me sugou contra toda a gravidade do cosmos, me obrigando caminhar naquela direção! Era um íman que me obrigava aproximar cada vez mais. E quando me aproximei percebi que tudo isto era inevitável… e sobretudo que nesta vida o “acaso” não existe!
O que existe são forças maiores ou menores, que concentram toda a energia no nosso cérebro e coração, que nos obriga ou impede dar os nossos passos.
Nem a água da chuva me conseguiu acordar desta verdade …
Mesmo que um dia chegue á Lua, não vou acreditar… pois o meu sonho sempre foi navegar entre cometas sem nome!
 
PatríciAntão

Silêncio

 
 
"E quando a palavra certa não puder sair pra consertar um momento,
que seja o silêncio a melhor forma de nos traduzir.
 Porque silêncio também é prece.
Silêncio às vezes é gesto de amor.
E acalma."
(Cris Carvalho)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Água Abismal


 
Hoje apenas tenho um desejo: mergulhar em águas abismais!
O meu próprio terror assombra toda essa profundidade sem fim…
É o mar que me acolhe quando a luz teima em apagar-se… a luz da chama da vela que se vai derretendo e que pouco a pouco desaparece.
Este oceano não tem fundo! Este espelho não tem reflexo.
O negro não tem luz…
Hoje não há estrelas no céu. E a Lua? A Lua essa, até ela se esqueceu que eu estava aqui, frágil e prestes mergulhar…
É nesse mar que habitam as vozes sem medo! Atravessa todos os limites do bem e nega a minha mente e todo o meu apertado coração.
O meu coração tem a cor negra dessas águas.
E neste momento, o único elemento que atravessa o meu corpo é a água.
Água salgada que corrói meus olhos e que salpica todo o meu coração!
PatríciAntão

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Nostalgia Fim de Verão

   
 
    Depois do sonho, daquela fantasia em que me abraçavas e me rodavas pelo ar, como se de príncipes nos tratássemos, vêm os labirintos...
    Os labirintos da vida, a tragédia da realidade, onde caio de pés descalços e me magoo.
    Faço cara feia, simplesmente não quero sair desse sonho, dessa história de conto de fadas.
... Já oiço outras vozes!
 
    Resta a nostalgia do cheiro a terra molhada do início de Setembro.
    Já ninguém procura sombras...
 
    Porque o Sol deixou de brilhar...
 
    Eu? Eu fico com mais uma linda história de Verão para recordar!
 
PatríciAntão
"(Só fica
o deserto)

A ilusão da aurora
e os beijos
se desvanecem.

Só fica
o deserto.
Um ondulado
deserto
."